“WEEL é a cereja do bolo SAP”

 

Você já deve ter ouvido falar em José Ruy Antunes. Executivo com currículo extenso, há décadas ajudando a traçar a trajetória do universo dos ERPs no Brasil, ele foi um dos principais responsáveis pela expansão da gigante alemã SAP no Brasil – primeiro na posição de diretor comercial e, depois, de CEO. Sob sua gestão, a companhia entrou na lista das 500 Maiores e Melhores empresas brasileiras.

Após deixar o comando da multinacional, Antunes manteve papel de destaque no cenário de negócios nacional, e há 3,5 anos está à frente da consultoria Global BPD – Business Development Partners. Seguiu a tendência natural de manter-se ligado ao mundo da tecnologia, envolvendo-se com o impulsionamento das fintechs, e foi peça-chave na criação da parceria entre a SAP e a WEEL, que resultou na oferta de antecipação de recebíveis para clientes SAP dentro da plataforma Business One (a SAP “júnior”, voltada a pequenos e médios negócios).

“Para criar uma imagem fácil de ser compreendida, costumo dizer que o Business One é o ‘bolo’, enquanto a WEEL é a ‘cereja’. Ou seja: e não houver ‘bolo’, não há como oferecer a cereja. E sem a ‘cereja’, todos os bolos são iguais”, refletiu Antunes na entrevista exclusiva à WEEL.

Confira a seguir o bate-papo completo, repleto de insights de quem entende de gestão de negócios como poucos no Brasil.

 

WEEL: Os ERPs foram definitivamente abraçados pelas empresas brasileiras e são utilizados por elas em sua plenitude? Ou ainda falta ao empresário brasileiro descobrir o potencial dessa ferramenta?

José Ruy Antunes: Antes de mais nada, precisamos esclarecer o que é o “sistema ERP”. O Sistema de Gestão Empresarial (do inglês Enterprise Resource Planning) é um sistema necessário de apoio às empresas na gestão e controle de suas atividades. Ele torna-se mais abrangente de acordo com a complexidade das operações das empresas. Também é mais eficiente na medida em que esteja mais integrado ao negócio. E quanto maior a empresa e mais complexas suas operações, maior a necessidade de um sistema como este para tratar e executar a maioria dos processos (burocracias) repetitivos, principalmente em um país como o Brasil, com tamanha complexidade fiscal. Portanto, sim, os sistemas ERP foram adotados pela esmagadora maioria das empresas, as quais sabem usufruir de seus benefícios em maior ou menor grau. Para estas empresas, o grande potencial da ferramenta está na disciplina operacional e a consequente capacidade de escalabilidade de suas operações de forma rápida e a custos compatíveis.

 

W: Ou seja, o empresário brasileiro reconhece a necessidade e o valor de uma ferramenta automatizada de gestão.

JRA: Sim, e faz isso há muitos anos, em função das complexidades que mencionei. A baixa escalabilidade dos processos feitos de forma manual não é compatível com a necessidade de crescimento das empresas, tanto em termos de complexidade quanto de custo. Após o fim da famigerada “reserva de mercado para produtos brasileiros”, no início da década de 90, a chegada de competidores internacionais acelerou a necessidade de os grandes empresários nacionais adotarem ferramentas de gestão que os permitissem competir adequadamente. Os sistemas ERP nacionais e estrangeiros passaram a ser largamente adotados.

 

W: Essa é a realidade nas grandes empresas. O que acontece nas pequenas e médias?

JRA: O pequeno e médio empresário tem desafios diferentes dos grandes. Na grande empresa, com imensos volumes operacionais, a disciplina nos processos de negócio é a única forma de conciliar eficiência, produtividade e escalabilidade. Já o pequeno empresário, que também precisa da disciplina e da automação dos processos, não pode abrir mão da flexibilidade que o permitirá competir e crescer.

 

W: Frente a esse quadro, como é o relacionamento entre PMEs e ERPs?

JRA: Se observarmos hoje o mercado brasileiro de ERP nas pequenas e médias empresas, veremos que, salvo honrosas exceções, elas ainda não descobriram as reais vantagens desses sistemas e nem aprendeu ainda a utilizá-los em sua plenitude. O pequeno e médio empresário ainda precisa entender que o ERP não é um fim em si mesmo. Ele constitui, na verdade, a base sobre a qual ele vai desenvolver suas práticas e integrar outras ferramentas. Estas sim lhe darão a flexibilidade e o diferencial competitivo para crescer e vencer.

 

W: A que tipo de ferramentas você se refere?

JRA: Ferramentas tecnológicas como a provida pela WEEL. Esta Fintech desenvolveu uma solução fantástica que provê ao pequeno e médio empresário acesso à uma inestimável ferramenta de otimização de fluxo de caixa por um valor e uma velocidade que nem grandes empresas dispõem. Esse é um enorme diferencial competitivo, ao qual ele tem acesso apenas por contar com um ERP instalado. Ou seja: o ERP o ajudou a ser mais organizado e eficiente e, depois, o permitiu ter um melhor acesso à solução da WEEL. Esta sim lhe garante um grande diferencial competitivo na gestão otimizada do caixa. Gosto de compará-los à imagem de um bolo: o ERP é o bolo e a WEEL é a sua cereja. Não dá para colocar a cereja (ou seja, o diferencial) no bolo se não houver o bolo. Por outro lado, bolo sem a ‘cereja’ é apenas massa!

 

W: É possível, mesmo para uma PME, sobreviver no mundo empresarial sem um ERP?

JRA: É difícil imaginar uma empresa que consiga, em um mundo tão digital e globalizado, alcançar o sucesso sem estar digitalmente conectada. Atividades como compra eletrônica, venda por internet, relacionamento bancário etc. requerem conexão digital e um repositório de informação que pode e deve ser utilizado como base para a tomada de decisões. Aí entra o ERP.

 

W: Por que a SAP investiu no desenvolvimento do Business One, voltado ao segmento de PMEs?

JRA: Vivemos em um mundo superconectado, com forte relacionamento entre clientes e fornecedores – tanto pessoas físicas quanto jurídicas. Ele está se tornando cada vez mais digital e veloz. E a SAP, que sempre pautou seus desenvolvimentos dentro do conceito da integração absoluta dentro da empresa, disponibilizou o SAP Business One para permitir a integração entre todas empresas. Além disto, buscou disponibilizar ao pequeno e médio empresário os processos de negócios imbuídos de melhores práticas usados pelas grandes organizações. A maturidade do sistema vai se dando com o tempo, em função da percepção da melhoria operacional das empresas e, principalmente, da disponibilização de soluções novas e disruptivas por parceiros de negócios – como a WEEL.

 

W: É possível estimar alguns números que demonstrem a eficiência propiciada pelo ERP ao gestor?

JRA: Não. O que posso dizer é que 100% das mil maiores empresas de todos os países do mundo contam com algum sistema ERP. O marketshare de uma companhia como a SAP nas 500 Maiores e Melhores nos principais mercados mundiais é superior a 60%; no Brasil, chega a 70%. No entanto, quero ressaltar novamente: a era do ERP como solução já passou. Uma vez que sua utilização está largamente difundida, tê-lo não mais garante um diferencial competitivo. O ERP é a plataforma sobre a qual o empresário buscará seu diferencial competitivo agregando soluções de conectividade, de relacionamento com clientes e fornecedores, e de otimização fiscal e de fluxo-de-caixa.

 

W: Se o ERP pode impulsionar tanto o negócio, porque há resistência por parte das PMEs?

JRA: De forma geral, a implantação de um ERP é complexa e por vezes “dolorosa”. Muda a forma de fazer negócio, muda os processos e impõe disciplina em uma estrutura que não estava acostumada a ela, o que é doloroso e cansativo. Muitas vezes, passada a implementação, o empresário fica “cansado” do assunto (mesmo porque seu negócio principal não é TI) e não investe na evolução. Aí reside o maior erro. Afinal, o mais difícil já foi feito! Ele acaba desistindo depois que a base está pronta. Mas essa é a hora de ele construir seu diferencial competitivo, e buscar soluções complementares e integradas que o ajudarão a se diferenciar ou que aumentarão sua eficiência na gestão operacional e financeira.