Como a Semana de Crédito está ajudando as PME´s

Durante todo o mês de novembro, acontece no país a Semana Nacional de Crédito. O evento tem como objetivo ajudar micro e pequenas empresas a aprimorar a gestão financeira de seus recursos. Conta também com um aspecto mais pragmático, o de ajudá-las a livrarem-se de dívidas antigas e a aprender a escolher as melhores opções de crédito no futuro.

A iniciativa é coordenada pelo Fórum Permanente da Microempresa e Empresas de Pequeno Porte, com o apoio do Sebrae, da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, além de outros parceiros locais.

A Semana Nacional do Crédito acontece em um momento especialmente delicado para o pequeno e médio empresário brasileiro. O panorama de alto endivididamento, de baixa oferta de crédito e também da dificulta imposta de obtê-lo foi intensificado em um ano pautado pela crise econômica e instabilidade política.

 

PMEs pouco participam do crédito no Brasil

As PMEs compõem um dos setores mais importantes da economia do país, com participação de 30% no PIB. Representam mais de 98% do mercado e, em 2018, foram responsáveis pela geração de mais da metade dos empregos formais, segundo o Sebrae.

Embora a alavancagem (tomada de crédito) seja uma ferramenta importante para estimular o crescimento do negócio, 84% das MPEs afirmaram não ter a intenção de tomar crédito, segundo o Serviço de Proteção ao crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes (CNDL). Os motivos seriam o medo dos impactos da crise econômica e os juros altos cobrados.

Essa realidade é confirmada por uma pesquisa feita pelo Sebrae em 2017, que mostrou que conseguir crédito é uma das principais dificuldade enfrentadas por empreendedores para expandir seus negócios. Para os quase 7 mil empresários entrevistados, pedir um empréstimo é apenas a sexta opção considerada para conseguir capital de giro.

 Em 2018, o montante médio de empréstimos solicitados pelas PMEs foi de R$ 32,7 mil. Em resposta, os bancos liberaram R$ 29,4 mil, em média, o correspondente a 90% do total desejado.

Mas mesmo que tenha havido crescimento no pedido de crédito na primeira metade do ano, o volume ainda está muito abaixo do ápice de 2015. Segundo o Sebrae, nos últimos três anos houve uma diminuição de 40% no crédito total fornecido às micro e pequenas empresas.

Por todas essas razões, se o foco da Semana Nacional do Crédito do ano passado foi estimular empresas a regularizar sua situação financeira, a edição de 2018 concentra atenções na divulgação de novas opções de crédito disponíveis no mercado nacional.

Durante o evento, as sete instituições financeiras participantes (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia), as maiores do país, ofereceram aos empreendedores acesso a linhas de crédito com juros até 25% menores em relação aos valores convencionais.

Na edição anterior, R$ 7 bilhões em novos créditos foram disponibilizados. Este ano, a quantia deve chegar a R$ 12 bilhões, um aumento de 33%.

A Caixa, por exemplo, está disponibilizando ofertas nas linhas de capital de giro e pagamento do 13º com taxa de juros a partir de 0,83% a.m. No Banco do Nordeste, a taxa é de 0,5% a.m., e no Banco do Brasil começa a partir de 1,37% a.m, com isenção de até 100% da tarifa de adesão. O Santander oferece um desconto de 25% na taxa.

Com essas novas oportunidades, a organização do evento também pretende ajudar as empresas a sobreviver ao período de fim de ano. Nessa época, capital de giro é essencial para cobrir as despesas que envolvem formação de estoques para as vendas de dezembro e pagamento do 13º salário para os funcionários.

Além disso, os bancos também treinaram seus gerentes para que eles proponham soluções aos empresários participantes que vão além das linhas de crédito. Analisando caso a caso, eles podem, por exemplo, encaminhar clientes para atendimento personalizado no Sebrae.

Financiamento e FGTS

Além de ter acesso a linhas de crédito a preços especiais, os empresários também podem, ao longo da Semana Nacional de Crédito, contratar novos financiamentos e regularizar sua situação em relação a empréstimos não pagos e a impostos atrasados.

A Caixa, por exemplo, oferece facilidades para o pagamento de dívidas, com dispensa dos juros de até duas parcelas atrasadas.

O Ministério da Fazenda ainda permite o pagamento parcelado dos débitos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviços (FGTS) em 120 meses, estendendo o prazo regular de 90 meses.

Opções de oficinas e palestras

O evento também conta com mais de 500 eventos que acontecem em todo o país, com palestras, cursos e oficinas, ao longo de todo o mês de novembro. A agenda está publicado no endereço www.semanadocredito.gov.br.

O Sebrae, um dos organizadores, está oferecendo mais de 40 mil inscrições para uma programação que inclui rodadas de crédito, mutirão de atendimento, orientação pré e pós-crédito e apresentação de garantias, como o Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (FAMPE). A ideia é preparar os empresários para negociações junto a instituições financeiras.

Para aqueles que não conseguirem participar fisicamente das atividades, o Sebrae também disponibilizou consultoria e outros conteúdos online.

O BNDS também organiza este mês uma série de eventos nos Estados de São Paulo, Amazonas, Sergipe e em Brasília. O objetivo é apresentar as suas diferentes linhas de crédito.

A Conampe (Confederação Nacional das Micro e Pequenas Empresa e dos Empreendedores Individuais) também promove eventos em diferentes cidades do Paraná para falar sobre as possibilidades de acesso ao crédito para pequenas e microempresas. Em Curitiba, organiza um debate sobre o tema na sexta-feira, 23 de novembro.

Já a CNI se uniu à Caixa para promover uma série de capacitações sobre crédito e financiamento para micro e pequenas empresas. Os eventos acontecem principalmente nas duas últimas semanas do mês.

Entre os bancos, o Santander faz uma palestra sobre gestão financeira em São Caetano, no dia 30, e workshops abordando a expansão dos negócios nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Pará, Amazonas, Maranhão, Ceará, Bahia, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Brasília.

O Bradesco elaborou uma programação mais variada, com palestras sobre como a economia impacta o empreendedorismo e como o impacto social tem importância crescente na publicidade. Todos esses os eventos acontecem em São Paulo. Há também um painel sobre mulheres empreendedoras, em São Caetano do Sul.

Em resumo, essa união de diferentes “atores” durante a Semana Nacional do Crédito está conseguindo oferecer ao empreendedor um pacote completo completo de soluções imediatas. Vai desde linhas de crédito com taxas especiais, novas possibilidades de financiamento, formações e informações para ajudar o gestor a melhorar o seu desempenho e o de sua empresa no longo prazo.

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