Previsão de crescimento no crédito inclui as PMEs?

Com a economia em alta e o otimismo do mercado, tudo indica que o
crédito corporativo há de crescer nesse ano. Esse é o resumo da ópera.

Mas vamos por partes. Afinal, é importante considerar que o crescimento do volume de crédito não quer dizer que ele chegará a quem mais precisa. As micro e pequenas empresas, por exemplo, que representam 30% do PIB e mais de 90% do número de CNPJs no Brasil, são ainda hoje as que menos dispõem de acesso ao crédito.

A esperança do momento, para elas, é o crescimento no número de Fintechs, as quais oferecem modalidades de crédito e de antecipação de recebíveis sempre pautadas pela agilidade, descomplicação e (muitas vezes) independência do universo bancário.

Para saber mais, consulte os sites da WEEL (antecipação de recebíveis), Biva e Tutu Digital (empréstimos peer-to-peer)

BNDES ainda longe das PMEs – Hoje, apenas 23% da carteira de empréstimos do BNDES é voltado a pequenas
empresas, e empréstimos bancários são custosos e complicados. Por essa razão, muitas
pequenas recorrem ao cartão de crédito corporativo – uma saída também custosa,
mas bem menos complicada – pelo qual pagam juros que chegam a 210% ao ano
(rotativo).

Antecipação é modalidade adequada para PMEs – Existem outras formas de fomento comercial para as PMEs que, no entanto, só agora começam a ganhar destaque. Estamos falando de antecipação de recebíveis, descontos de cheques e antecipação de faturas de cartão, que aumentaram 4% nos 10 primeiros meses de 2018 em relação ao mesmo período de 2017. É fenomenal o potencial de crescimento dessa modalidade de crédito.

Fintechs: ideais para PMEs – As fatorings e FDICs têm um papel fundamental no novo ano como viabilizadoras do amplo acesso a crédito desses públicos pouco ou totalmente desatendidos pelo sistema financeiro até o momento. Jovens startups, como a WEEL, que oferece antecipação de recebíveis online, começam a transformar esse cenário e já prestam aos pequenos até mesmo serviço 100% digital, evitando as improdutivas sabatinas de gerentes, locomoções de longo percurso e tempo perdido com filas e burocracia.

Concorrência entre bancos e credenciadoras – Um importante passo foi dado no fim de 2018 para aumentar a concorrência
entre instituições financeiras e credenciadoras de cartões no mercado de
antecipação de recebíveis. O Conselho Monetário Nacional definiu que o lojista
não será mais obrigado a fazer essas operações junto a uma única instituição
financeira.

“A nova resolução limita a ‘trava bancária’ ao que é efetivamente devido
à instituição. Fora dela, o lojista está livre para fazer a antecipação com a credenciadora
ou com outra instituição”, disse o diretor de Regulação do Banco Central,
Otavio Ribeiro Damaso, em entrevista. As novas regras, que deveriam passar a
valer a partir de 31 de janeiro de 2019, foram adiadas para agosto.

Opinião do Bradesco – Em entrevista
a jornalistas no fim do ano passado, o vice-presidente do Bradesco, Marcelo Noronha,
comentou que espera um crescimento de 10% no crédito para empresas em 2019. O
banco também acredita que as linhas de repasse de recursos do BNDES voltarão a
crescer. É esperado um aumento no montante de linhas de antecipação
de recebíveis
e de cheques para as pequenas e médias empresas.

Números positivos – O próprio Banco Central, em seu Relatório Trimestral de Inflação (RTI), estima que o estoque de crédito aumentará em 6% em 2019 e a carteira de recursos livres (aqueles não destinados para setores como o agronegócio e construção civil) crescerá entre 10% e 12%. É desta carteira que provém boa parte do recurso para empresas. A estimativa também aponta aumento de 5% para o financiamento corporativo. A expectativa é de um crescimento de 2,5% no PIB, segundo relatório o Focus do Banco Central.

Para a Associação das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), as expectativas positivas para 2019 só se tornarão realidade caso a economia apresente melhora. Os economistas se comprometeram a acompanhar de perto os passos de Jair Bolsonaro, presidente eleito, e de seu ministro da Fazenda, Paulo Guedes, para pressioná-los pela melhoria da situação do país.

Vale a pena acompanhar e questionar o status quo do sistema financeiro no Brasil, para que o universo do crédito entre em revolução e garanta apoio ao crescimento dos pequenos e médios negócios.