PMEs e fluxo de caixa: preocupação globalizada

Esteja em Londres, Tóquio, Nova York ou São Paulo, as dores dos pequenos e médios empresários são basicamente as mesmas, com pequenas diferenças. Eles afirmam ser especialmente afetados pelo acirramento da concorrência e pelas dificuldades de conquistar novos clientes. E destacam, em uníssono, a dificuldade em manter um fluxo de caixa saudável, apontando-o como seu maior impecílio para o crescimento.

Esse assunto lhe é familiar? Pois essa foi a constatação frente aos resultados de um estudo recentemente realizado em países europeus e nos Estados Unidos, denominado C2FO Working Capital Outlook Survey.

Participaram da pesquisa mais de 1.800 pequenos e médios empresários*, cujo intuito era compreender suas dores em relação ao financiamento do negócio. As respostas são surpreendentemente parecidas com as registradas nas vozes de executivos brasileiros:

  • As PMEs vêem nas dificuldade em manter o equilíbrio do fluxo de caixa como seu maior obstáculo ao crescimento.
  • O crédito está se tornando cada vez mais caro com o passar dos anos.
  • Os empresários estão preocupados com o crescimento no médio prazo.
  • As opções de financiamento às PMEs são limitadas.
  • Os termos de pagamento de grandes clientes deveriam ser reformulados, de forma a serem acelerados.

Outras preocupações esclarecedoras foram citadas na pesquisa.

  • A maioria dos empresários está focado mais em problemas de longo prazo (tais como sua sobrevivência e a quitação de dívidas) do que em questões de curto prazo do negócio.
  • A insegurança em relação aos contratos com clientes é citado como uma das mais constantes preocupações.
  • Também foi citada a apreensão com cenário econômico, cenário político e inadimplência.

Como sinal dos novos tempos, há também uma forte preocupação com a segurança da rede. Segundo o Relatório de Segurança de TI para PMEs (SMB IT Security Report), que traz o resultado de uma pesquisa com mais de 350 pequenas e médias empresas em todo o mundo, as preocupações com segurança da tecnologia da informação cresceram. Há motivo para isso. Afinal, o volume de ataques cibernéticos a organizações aumentam exponencialmente, mas o valor para investir contra eles não. A pesquisa apontou que menos de 30% das pequenas e médias empresas entrevistadas têm na equipe interna um profissional dedicado a essa atividade e 50% destas contam com um baixíssimo orçamento para investir em segurança (metade delas disponibilizam menos de 1000 dólares por ano).

Em se tratando do Brasil, há uma preocupação adicional: a corrupção. A Pesquisa Global Zurich, realizada em 13 países em 2017, incluindo o Brasil, e com cerca de 2,6 mil pequenos e médios empresários, revelou o crescimento da preocupação das pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras com a transparência de sua imagem e os eventuais riscos que a corrupção pode acarretar aos seus negócios.

* A pesquisa incluiu empresários da Inglaterra, Alemanha, França, Itália e Estados Unidos.