PME e 13º salário: o benefício é obrigatório, já a dor de cabeça é opcional

 

Paradoxos da vida corporativa: enquanto os últimos dois meses do ano são os mais aguardados por funcionários, para as empresas, especialmente as pequenas é médias, eles consistem nos de maior ansiedade. É nessa época, novembro e dezembro, que é pago o 13º salário, obrigatório por lei para quem é empregado no regime CLT.

Segundo levantamento do Dieese, o pagamento desse benefícios em 2018 beneficiará 84,5 milhões de brasileiros empregados no setor público e privado, e injetará cerca de R$ 211,2 bilhões na economia.

Por um lado, essa carga extra de recursos “dá gás” ao mercado; por outro, os empresários costumam reclamar que é o momento que mais gera gastos extras às empresas (considerando-se eventos, eventuais bônus, adicional de férias etc., a reclamação de fato faz sentido). Assim, para quem não se planejou adequadamente durante o ano e corre o risco de não ter caixa para arcar com tudo, a solicitação de crédito é a única saída.

Continue lendo para saber como gerenciar bem essa questão.

 

Por que é importante pagar o 13º salário?

Criado em 1962 pelo então presidente João Goulart, o 13º salário é obrigatório no Brasil e deve ser pago em duas parcelas: a primeira corresponde a metade de salário sem descontos, e deve ser acertada entre os meses de fevereiro e novembro; já a segunda é paga até o dia 20 de dezembro, com descontos da previdência, do imposto de renda e, claro, do valor da primeira parcela.

Por ser obrigatório, o empregador que não o paga em dia está sujeito à multa de R$ 170,25 por empregado. Esse valor dobra em caso de reincidência.

 

Como calcular o valor do 13º de cada funcionário?

Ele corresponde a 1/12 do salário do empregado multiplicado pelos meses trabalhados no ano (considera-se um mês integral quando trabalhados mais de 15 dias).

Por exemplo: um funcionário contratado por R$ 1,2 mil por mês, e que começou a trabalhar no fim de junho, trabalhou, até dezembro, seis meses inteiros. Portanto, receberá 1/12 do salário (R$ 100) vezes 6 meses trabalhados (R$ 100 x 6 = R$ 600).

OBS: Se houver mudança de remuneração durante o ano, o cálculo deve ser feito com base no salário atual.

 

Planejamento é a alma do negócio

Tudo é possível desde que feito com planejamento. O mantra para as finanças pessoais vale também para empresas, e não adianta começar a se preocupar em separar o dinheiro para pagar o 13ª salário dos funcionários só em outubro ou início de novembro. O ideal é que a empresa já comece desde o início do ano a provisionar os recursos para isso, assim como faz com as férias dos funcionários. A provisão deve idealmente ser calculada para cada funcionário no momento em que ele ingressa na empresa.

 

E se a empresa não tiver dinheiro para pagar?

Se a empresa não se planejou ou realmente não conseguiu provisionar o valor para pagar o 13º dos funcionários em novembro e dezembro, a única saída é recorrer a reservas financeira, antecipação de recebíveis ou solicitação de crédito. Há diversas modalidades para empresas em bancos, financeiras e factorings, e o importante é observar qual será a menos custosa. Uma das operações mais usadas pelas empresas, em especial as de pequeno e médio portes, é a antecipação de recebíveis, realizada por meio de factorings tradicionais ou digitais, como a WEEL.

 

Qual crédito vale mais a pena?

Muitos fatores entram nessa conta. Você precisa checar com sua instituição bancária para conhecer quais as linhas de crédito disponível e quais taxas serão cobradas. Deve também pesquisar propostas de instituições não bancárias, como as Fintechs, que são empresas de alta tecnologia que disponibilizam soluções interessantes, seguras e baratas. As taxas mais baixas são, geralmente, cobradas pelas empresas digitais que realizam antecipação de recebíveis, modalidade em que você “vende” suas duplicadas para uma empresa que, em troca de um taxa, depositará para você o valor à vista – muitas vezes, no mesmo dia útil da solicitação.

 

Passado o susto, entenda por que não conseguiu provisionar o 13º nesse ano

É a ocasião ideal para refletir sobre os motivos que não permitiram que você se planejasse. Hora de perguntar: me faltou organização financeira? Meu sistema de ERP não é o melhor para me ajudar no planejamento? Gastei mais do que recebi? Tive muitos gastos imprevistos – ou seja, preciso rever minhas planilhas de controle? Vale a pena contratar um outro consultor ou um gestor financeiro para não passar mais por esse tipo de apuro?

Uma boa dica é acompanhar, pelo menos semanalmente, os números do seu negócio: quanto gastou, quanto teve de receitas, quais foram os gastos extraordinários, como está a previsão de fluxo de caixa para os meses seguintes e que recursos ainda dispõe. Assim, dá para se organizar financeiramente e até pensar em estratégias para equilibrar o caixa, como cortar custos e promover ações de marketing para atrair mais clientes.

Contar com um completo sistema de gestão administrativa e financeira, conhecido como ERP, ajuda muito nesta tarefa. Em alguns deles, que operam 100% online, é possível checar em tempo real, a partir de qualquer lugar, o estado da saúde financeira da sua empresa, inclusive através de aplicativos no celular.

 

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