Indústria 4.0 ao alcance das PMEs

Por Simcha Neumark*

A digitalização da indústria já é uma realidade e pode-se dizer inclusive que ela vai ditar muito sobre o futuro da economia. O aumento do nível geral de conectividade entre pessoas e máquinas, por exemplo, tem gerado um volume de dados bastante expressivo e o processamento destas informações permite o desenvolvimento da chamada indústria 4.0, garantindo o aumento de eficiência das cadeias produtivas.

Nesse contexto, considerando os novos parâmetros traçados para o mercado, vemos empresas cada vez mais em busca de novas tecnologias e maneiras de aplica-las ao negócio em prol do crescimento sustentável. Uma pesquisa recente da Fundação Getulio Vargas** identificou um potencial de melhoria de 7% na margem de lucro das empresas, em até dois anos, a cada 1% de aumento no investimento em tecnologia de informação.

Esse processo de digitalização acontece de diversas formas, tanto em grandes empresas como também nas PMEs, transformando o modelo de se fazer negócios e melhorando a alocação de recursos dentro do mercado e a eficiência dos processos.

Segundo a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), todo esse desenvolvimento tecnológico tem o potencial de gerar R$ 73 bilhões por ano em ganhos de eficiência para o país, proporcionados pela otimização dos resultados e lucros das empresas, redução do consumo de energia e do nível de manutenção de equipamentos.

Um exemplo de como podemos ampliar nossa visão sobre a digitalização da indústria e de como essa sofisticação pode ser implementada é a melhoria das práticas de gestão.  Sistemas de gestão empresarial, como os ERPs, oferecem mecanismos automatizados de extração e controle de dados para uma visão completa da operação e das finanças das empresas, sendo uma ferramenta importante para embasar a tomada de decisão dos gestores.

O ERP vem aumentando sua popularidade nos últimos anos, tornando-se um item essencial para empresas dos mais diversos segmentos e tamanhos, dado os benefícios que oferece. Para as PMEs, permite um grande salto nos negócios, por meio de soluções específicas, tornando-as mais competitivas e com maior potencial de atuação e posicionamento nas cadeias produtivas.

Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Software (ABES – 2017), o Brasil é o 9º maior mercado de software e serviços de TI do mundo. Pesquisas realizadas pelo Portal ERP com mais de 4.500 empresas que já usam o sistema, identificou que 18% delas pretendia comprar novos módulos de automatização e 26% tinham a intenção de investir em atualização desses sistemas, em 2017.

A visão ampla sobre a saúde financeira da empresa permite também a transformação de processos relacionados à concessão de crédito. Comum na rotina administrativa e importante para aquecer a indústria, o crédito é um elemento crucial neste momento de retomada do crescimento econômico.

A inovação que essa conversão de mais informações permite no financiamento é uma análise muito mais apurada sobre o fluxo de caixa. Isso garante maior nível de previsibilidade para as operações de crédito, ou seja, uma análise de risco mais assertiva. Na prática, significa oferecer empréstimos a taxas de juros menores para o cliente e que podem ser concedidos de maneira mais ágil e menos burocrática.

O que podemos concluir, portanto, é que a inovação permite o desenvolvimento de novas formas de resolução de problemas reais que, por conseguinte, permitem acelerar o crescimento das empresas por meio da melhoria de processos.

 

*Simcha Neumark é CEO da WEEL, fintech de adiantamento de recebíveis para PMEs brasileiras.

** 28ª edição da Pesquisa do Uso de Tecnologia nas Empresas da Fundação Getúlio Vargas, [2017].

O adiantamento de recebíveis é um tipo específico de crédito empresarial, referente a antecipação do pagamento de notas fiscais que as empresas têm a receber de terceiros. A WEEL vem transformando o segmento de fomento mercantil com um modelo proprietário de análise de risco totalmente automatizado e que utiliza IA para processar os dados e estabelecer taxas de juros individualizadas e flutuantes, a níveis inferiores àqueles praticados no mercado tradicional.