Foco no… ZERO!

Por Russell Weiss, Diretor de Risco da WEEL

Há dois anos, a WEEL, empresa de factoring online que atua junto a pequenas e médias empresas brasileiras, definiu para si uma meta que parecia impossível: alcançar o índice de inadimplência zero sem afetar o seu próprio crescimento.

Estamos felizes em anunciar: missão cumprida!

O índice de inadimplência é a porcentagem de empréstimos que não são pagos em relação ao valor total emprestado. Claro que espera-se que todos sejam pagos. Mas devemos lembrar que, no Brasil, o cenário de crédito é maculado por alguns números altos em termos de risco do crédito, ocorrência de fraudes e outras surpresas desagradáveis.

Apesar desses desafios, acreditamos desde o início que, com tecnologias avançadas, grandes conjuntos de dados e aprendizagem automática, poderíamos criar um sistema de tomada decisões de ponta que nos permitiria atingir a inadimplência zero.  

Nossa crença se comprovou verdadeira.

O que nós conquistamos?

Nosso índice de inadimplência é de 0,5% se considerados empréstimos não pagos. Nesse cálculo é possível, no entanto, incluir as multas por atraso para compensá-las. Assim, nosso índice de inadimplência é, na verdade, de -0,5%.

Como fizemos isso?

Além de muitas e muitas horas de trabalho árduo, apostamos:

 

  1. Em parceiros confiáveis de dados

São necessários muitos dados relevantes para a construção de um algoritmo de tomada de decisões de crédito que consiga superar os modelos tradicionais. Com o surgimento das fintechs, o cuidado com os critérios de empréstimo ganhou novas dimensões e até mesmo empresas mais tradicionais estão dispostas a contribuir com seus conjuntos de dados para conseguir melhores resultados. Essa é uma parceria estratégica, que ajuda credores em estágio inicial a refinar seus algoritmos de crédito.

 

  1. Confiamos na “máquina”

Os empréstimos, hoje em dia, se tornaram uma ciência basicamente focada em dados objetivos. Um algoritmo matemático sempre poderá analisar muito mais variáveis do que um ser humano e, além disso, não está sujeito a opiniões subjetivas nem à fadiga. Fora isso, não tiram folga. É muito tentador, aos operadores, desafiar a decisão tomada pelo algoritmo “só desta vez”, mas esta tentação deve ser sempre rechaçada. O erro humano é um grande fator de risco que pode enfraquecer até os melhores sistemas de tomada de decisões.

 

  1. Prestamos atenção em tudo (inclusive nos metadados)

Bons cientistas de dados são como detetives. Eles precisam analisar milhares de variáveis para identificar os fatores que ajudam a aumentar a força preditiva do algoritmo. Às vezes, as variáveis mais importantes podem ficar de fora. Metadados, que descrevem o conjunto de dados e o seu histórico, são geralmente desconsiderados e removidos do conjunto de dados. Tivemos sorte por atentar a eles — e nos surpreendemos ao descobrir que metadados, a exemplo da velocidade e da precisão dos clientes na hora do envio dos dados para a WEEL, eram prognosticadores de solvência extremamente importantes.

 

  1. Sabemos que tragédias e cenários de crise acontecem

Como cientistas de dados, é muito fácil “nos apaixonarmos” por nossos algoritmos de crédito. Podemos testar um conjunto de dados gigante e provar que ele funciona com 99% de certeza. No entanto, nossos testes geralmente presumem condições normais. E se acontecer um imprevisto? Afinal, no Brasil “imprevistos” são a norma! Há apenas alguns meses, caminhoneiros fizeram uma greve em todo o país e diversas indústrias ficaram totalmente paralisadas. Até os melhores algoritmos precisam executar testes de estresse para lidar com cenários apocalípticos.

 

  1. Não dependemos da cobrança

Os credores geralmente pensam que, “se não der certo, acertaremos na cobrança”. É uma péssima estratégia. Quando o empréstimo chega ao estágio de cobrança, as chances de recuperação são significativamente reduzidas e provocam grande estresse no relacionamento entre as duas empresas. A equipe de tomada de decisões precisa assumir o controle para garantir que os empréstimos não cheguem a esse estágio. Clientes que têm alguma chance de causar dores de cabeça com cobrança devem ser filtrados logo de início.

Por fim, a “vontade” é um fator de grande importância em nosso trabalho. Se você prestar atenção, verá que o nome de nossa empresa é pronunciado como will (vontade em português). Acima de tudo, precisamos de vontade e obstinação para acreditar em nosso sucesso.

Com uma equipe talentosa e um objetivo em comum, até mesmo o impossível se tornou possível: um índice de inadimplência zero no complexo mercado brasileiro.