Fintechs: as Novas Soluções do Mercado Financeiro Brasileiro

Se você acompanha o noticiário financeiro, certamente já ouviu falar sobre elas. O termo Fintech nada mais é do que a junção das palavras “financial” (financeiro) e “technology” (tecnologia), usado para designar as empresas de tecnologia ou as startups que oferecem produtos ou serviços para o setor financeiro, sejam eles cartões de crédito, aplicativos de gestão financeira ou sistemas de antecipação de recebíveis (também conhecidas como factoring ou companhias de fomento comercial). Desde seu surgimento como alternativa às empresas tradicionais – a exemplo de grandes bancos, seguradoras e corretoras –, elas estão revolucionando a oferta de serviços financeiros, especialmente de crédito.

Existem hoje milhares de Fintechs em todo o mundo. Essas iniciativas ganharam corpo a partir de 2009, com Inglaterra e Estados Unidos liderando as mudanças. Desde 2009, elas já levantaram cerca de 110 bilhões de dólares em investimentos para desenvolver e entregar os serviços inovadores a que se propõem. Na América Latina, o Brasil foi o país que construiu o maior ecossistema de Fintechs. Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Finnovista, organização que fomenta o desenvolvimento de Fintechs, mostra que o Brasil responde por 32% das iniciativas dos 15 países da América Latina. México, Colômbia, Argentina e Chile são outros mercados importantes desse novo segmento, segundo o mesmo estudo do BID.

No Brasil, já existem hoje quase 400 empresas desse tipo, sendo que cerca de 60% delas nasceram de 2014 para cá. E esse número está crescendo cada vez mais rápido – naquele ano, somavam aproximadamente 30 iniciativas, número que cresceu para 54 em agosto de 2015, 244 no fim de 2016 e 332 em novembro de 2017, de acordo com relatório Radar FintechLab. Outro número que impressiona é que, em 2017, essas 332 Fintechs captaram mais de 457 milhões de reais em investimentos, segundo estudo da consultoria Conexão Fintech.  Em 2018, sozinha, a emissora de cartões de crédito Nubank, primeira Fintech brasileira a se tornar um unicórnio (ou seja, ser avaliada em mais de 1 bilhão de dólares), recebeu um aporte de 150 milhões de dólares (cerca de 600 milhões de reais). Em poucos meses, o volume de investimento já é maior do que o do ano passado inteiro.

As vantagens das Fintechs

O poder das Fintechs vem, essencialmente, de dois aspectos: o DNA tecnológico e o foco em uma área de atuação específica. O uso da tecnologia para desenvolver e distribuir seus produtos lhes garante vantagens competitivas e permite que ofereçam serviços com menos burocracia. Com empresas como Geru e WEEL, já é possível contratar um empréstimo pessoal ou antecipar recebíveis para a empresa totalmente pela internet. O processo de cadastro, pedido, análise de risco, envio de documentos, liberação dos recursos e cobrança é 100% digital.

Entre as vantagens competitivas desse tipo de empresa está o menor custo para o cliente. As Fintechs usam essencialmente a internet para vender seus produtos (serviços de marketing e comercial) e também para entregar o serviço (distribuição), o que se traduz em custos menores. Um grande banco, por exemplo, ainda precisa contar com milhares de funcionários e centenas de agências bancárias por todo o Brasil para atuar; já algumas Fintechs conseguem, com menos de 200 funcionários, atender a milhares de clientes. Essas estruturas mais enxutas possibilitam a oferta produtos mais baratos para o público. “As empresas no Brasil continuam buscando opções que não passem pelos grandes bancos”, afirma Simcha Neumark, CEO da WEEL. “Nossa taxa de crescimento de mais de 30% ao mês comprova isso”.

A especialização, segunda principal característica das Fintechs, faz com que elas se dediquem a menos atividades e consigam ser mais especializadas, ganhando em qualidade e atendendo melhor seu público. Isso faz com que muitas dessas Fintechs ganhem clientes que antes estavam em empresas tradicionais. Elas são apaixonadas pelo seu nicho e sabem tudo sobre ele, esforçando-se em se relacionar e trocar informações com seus consumidores. O produto do Nubank, o cartão de crédito sem anuidade, por exemplo, não é inovador, mas o relacionamento e o atendimento que oferecem ao cliente são. Tudo pode ser feito pelo aplicativo, o qual também mostra de forma simplificada em que o cliente está gastando seu dinheiro. O mesmo acontece com o cálculo de risco realizado pela WEEL, que permite à Fintech oferecer taxas personalizadas (portanto mais justas e adequadas) aos seus usuários, sem burocracia e com uma velocidade inédita.

O sucesso das Fintechs vem pressionando a indústria tradicional, que está sendo obrigada a adotar mudanças para não perder competitividade. Só nos Estados Unidos, os bancos já investiram 20 bilhões de dólares em inovação, correndo atrás de novas tecnologias e desenvolvendo novos e melhores serviços para seus clientes. Fintechs como, por exemplo, Nubank e Trigg no segmento de cartão de crédito, Geru e Creditas em empréstimo pessoal, GuiaBolso em gerenciamento financeiro e WEEL em serviços para Pequenas e Médias Empresas, estão agitando o mercado financeiro e estimulam as empresas tradicionais, como os bancos, a se mexerem. Estes estão sendo obrigados a investir mais em soluções digitais, na melhoria da experiência de compra e uso dos serviços oferecidos, na redução de preços e na atenção aos desejos do cliente. E quem ganha, com isso, é o consumidor.