Saiba a diferença entre emprestar e financiar

 

Empréstimo e financiamento têm o mesmo objetivo – emprestar recursos –, mas seguem regras bem diferentes. Entenda mais sobre a melhor forma de utilizar cada um.

Muitas empresas empresas, assim como pessoas, enfrentam o mesmo desafio de fechar o mês sem saldo em caixa para fechá-lo. A melhor saída para equilibrar o fluxo de caixa é, então, buscar crédito no mercado, uma vez que a falta pagamento leva à inadimplência a qual, por sua vez, compromete a posição da empresa frente a seu mercado.

E sabemos: inadimplência nunca é uma boa opção, nem para pessoas jurídicas, nem para pessoas físicas.

Existem diferentes opções de crédito disponíveis no mercado brasileiro, entre elas o empréstimo, o financiamento, a linha de crédito de uma agência ou banco de fomento ou a antecipação de recebíveis, que nada mais é do que receber adiantado um valor com data de vencimento futura.

Apesar de todas essas modalidades terem a mesma função – crédito –, cada um desses serviços financeiros tem suas características e são indicados para situações diferentes. Entenda, no texto a seguir, o que é cada um e qual a forma ideal de utilizá-los.

O empréstimo conta com cobrança de juros

O que é – A mais simples linha de crédito disponível, o empréstimo basicamente é um serviço em que o banco ou a financeira empresta uma determinada quantia de dinheiro e cobra por ela uma taxa de juros. Diferentemente do financiamento, o empréstimo não precisa de uma finalidade específica para o uso do dinheiro e não tem valores mínimos e máximos.

É possível que o gerente do banco pergunte qual a finalidade do dinheiro caso o montante seja alto. Dependendo do caso, a resposta pode influenciar a decisão, levando o banco a negar o empréstimo ou cobrar juros mais altos em função do risco de inadimplência.

Por não ter uma garantia real (um bem que possa ser tomado em caso de “calote”), as taxas de juros cobradas são geralmente maiores do que a cobrada em outras modalidades crédito.

Em qual situação é indicado? – O crédito obtido por meio de empréstimo pode ser usado para qualquer finalidade, como compra de equipamentos, pagamentos de dívidas, fornecedores ou funcionários, por exemplo.

Em caso de empréstimos pessoais, existem diferentes modalidades. Por exemplo: aposentados, pensionistas e servidores públicos podem contratar um crédito denominado “consignado”, cujas parcelas já são debitadas automaticamente do contracheque do cliente e repassada ao banco. Como o risco de inadimplência é menor, a taxa também o é – mesmo assim, supera a do financiamento regular.

Algumas empresas também fazem acordos com bancos: os utilizar para realizar o pagamento de funcionários e, em troca, oferecem a eles crédito consignado. Em geral, esse crédito é limitado a até 30% da renda do tomador. Quem recebe um salário de 3 mil reais, por exemplo, só consegue tomar um empréstimo consigando com parcelas mensais de até 900 reais. As condições dos empréstimos variam de banco para banco.

Financiamento é voltado à compra de bens

O que é? – Financiamento é uma linha de crédito em que a instituição (banco ou financeira) intermedia a compra de um bem por uma pessoa ou empresa em troca de pagamentos mensais (parcelas) acrescidas de juros.

Neste caso, o dinheiro não vai para a mão de quem contrata o financiamento, mas sim para a empresa que faz a venda. A instituição financeira, que é a intermediadora, fica com o bem em garantia caso o emprestador não honre as parcelas. O bem não pode ser negociado com terceiros o bem até que a dívida seja totalmente quitada.

Em alguns casos, o banco exige ainda um avalista, ou seja, um terceiro que se comprometa a pagar o débito caso o contratante não o faça.

Diferentemente do empréstimo, o financiamento exige que haja uma finalidade específica para o uso do dinheiro. Por exemplo: aquisição de eletrodomésticos, máquinas, imóveis, carros, motos, tratores, caminhões, entre outros. Há linhas de financiamento que atendem a públicos diferentes (empresas e pessoas físicas) destinados a diferentes tipos de bens.

Em qual situação é indicado? – Para quem quer comprar algo por desejo ou necessidade e não tem o dinheiro em mãos. Uma vez que o bem fica em garantia e há um avalista, os juros cobrados costumam ser menores do que outras linhas de crédito, como cheque especial e cartão de crédito. É mais recomendado para grandes compras, como imóvel, carro ou maquinário industrial.