Crédito corporativo 2019: o que dizem executivos e especialistas

Os números foram melhores do que o esperado: contrariando
a previsão de muitas vozes do universo financeiro, o total de operações de
crédito para empresas cresceu 1,9% em 2018 em relação ao ano anterior, segundo
dados do Banco Central. Considerando a oferta geral de crédito, incluindo para
pessoa física, o salto foi de 5,5% no ano, saindo de R$ 3,091 trilhões
para R$ 3,260 trilhões. Destes, R$ 1,791 trilhão foi destinado a
pessoas físicas e R$ 1,469 trilhão, a jurídicas. Segundo a síntese do chefe
do Departamento de Estatísticas do Banco Central,
Fernando Rocha, “2018 foi um ano de recuperação de crédito”.

Um dos grandes vilões do crédito, a inadimplência, também deu sinais de melhora, mesmo que modestos. Segundo o BC, ela caiu de 3,5% para 3,2% entre os consumidores e de 2,9% para 2,4% entre empresas. Considerando os dois grupos, a inadimplência passou de 3,2% para 2,9%. 

Quanto ao crédito em 2019, a expectativa para 2019 é
de ampliação no volume e revolução na forma com que será concedido. Ainfla, há muito
acontecendo nesse campo, principalmente em função das novidades trazidas pelas
startups financeiras, conhecidas como Fintechs.

Fintechs, as novas facilitadoras do crédito

O último levatamento da FintechLab, realizado em 2018,
concluiu que existem hoje 453 startups financeiras no Brasil, o que representa
23% a mais do que em 2017. É o principal ecossistema do gênero na América
Latina, segundo relatório da Global FinTech Hubs Federation e da consultoria
Deloitte. Nos próximos dez anos, o Goldman Sachs estima que elas gerarão US$ 24
bilhões. Essas empresas não apenas propõem novos modelos de relacionamento aos
tomadores de crédito (com menos burocracia, mais agilidade e menores custos),
como também forçam os bancos a se adequarem à nova realidade imposta pela
concorrência – sempre bem-vinda, em qualquer atividade.

Os principais motivos pelos quais empresas recém-criadas morrem são a falta de planejamento e, mais ainda, de fomento e crédito. Estatísticas apontam que 85% dos pequenos empresários não conseguem crédito e 88% contam apenas com recursos próprios para tocar seu negócio. Isso se dá por muitos motivos, sendo o mais evidente a falta de opções na atividade creditícia nacional. Mais de 80% das operações de crédito no Brasil estão nas mãos de quatro instituições: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú-Unibanco e Bradesco.

O movimento que se vê agora traz uma alternativa para
empreendedores, implementando no mercado fontes alternativas de recursos. Essa
tarefa está sendo desempenhada principalmente pelas fintechs, uma vez que
nascem com o objetivo de oferecer serviços financeiros ágeis e descomplicados
por taxas muito mais acessíveis do que as bancárias. Elas ainda não existiam
com a força atual no momento em que nasceu a enext,
companhia nacional que presta serviços em TI para empresas de marketing. Em
2016 e 2017, quando ainda era uma startup (hoje faz parte de um dos maiores
grupos de publicidade do planeta, a WPP), ela enfrentou as tradicionais dificuldades
dos pequenos negócios na obtenção de crédito.

“Tentamos fazer um financiamento via BNDES, mas não
conseguimos”, lembra o fundador da enext, Gabriel Lima. “O projeto que tínhamos
não foi aprovado por eles; por outro lado, as taxas dos bancos privados eram
proibitivas. Acabamos desistindo”, diz ele. A enext teve, no entanto, a sorte
que muitas outras startups não têm. “Logo em seguida fomos comprados pela WPP,
e nosso problema de crédito deixou de existir”.

Crédito mais caro?

O Boletim Focus do Banco Central estima uma alta de
até 2,5% do PIB em 2019. Isso significa mais poder de compra, dinheiro em
circulação e o surgimento de negócios novos e lucrativos. Porém, o mesmo
relatório prevê que a inflação ficará acima da meta. Quanto à taxa básica de
juros (Selic), prevê-se um aumento de 6,5% para 8%. Todos esses números indicam
que pode ficar mais caro conseguir crédito para o negócio. Além disso, com o
dólar em alta, empreendedores que dependem de insumos importados terão que se
desdobrar para conseguir preços competitivos.

Esse cenário torna ainda mais importante as
aprovações, ocorridas no começo de 2018, das Resoluções 4.656 e 4.657 pelo
Banco Central, as quais normatizam as operações das Fintechs. Tais medidas eram
muito aguardadas pelo setor, que vem ganhando destaque no mercado nacional mas
precisava de um marco regulatório visando flexibilizar e fomentar suas
operações.

Frente a esse cenário de dólar alto e crédito
tradicional caro, a pergunta realmente relevante é: existirão mais recursos
financeiros para empresas brasileiras em 2019?

“São boas as expectativas para 2019 e estamos
otimistas, mas há sim chances de o crédito sair  mais caro para o empreendedor”, diz Alvaro
Sedlacek, diretor-executivo da Desenvolve SP – Agência de Desenvolvimento
Paulista, uma das maiores agências de fomento da América Latina. “Mesmo assim,
acompanhando a projeção de alta do PIB para 2019, a confiança dos empresários
na economia deve ser mantida”.

Fé nas Fintechs

Mauricio Cascão é CEO da Mandic Cloud Solutions. A empresa
nasceu como uma startup, mas hoje atinge faturamento anual de R$ 220 milhões.
Ela fornece armazenamento e gestão de dados para outras companhias e foi
fundada por Aleksandar Mandić, o grande pioneiro da internet no Brasil. Cascão percebe
com clareza a importância das Fintechs na retomada do crescimento – e está seguro de que muitas mais serão
criadas em 2019, tanto no Brasil quanto no exterior. “Há um inegável otimismo
no ar”, garante o executivo. “Acho que o país vai, enfim, voltar a crescer com
força em 2019. O Brasil tem reconhecimento mundial nesta área de tecnologia da
informação (TI) associada ao sistema financeiro. Somos modelo nisso até para os
EUA”.

Cascão não poupa elogios para as Fintechs que atuam no Brasil fomentando o crescimento das PMEs por meios de operações financeiras como exemplo a antecipação de recebíveis, como é o caso da WEEL. “Essas startups trazem soluções ótimas. Fora isso, o Brasil é o lugar onde também as Fintechs internacionais querem estar para se colocarem à prova. É um país multicultural, com uma economia sofisticada, alta demanda por estímulo e crédito, e bom acesso à internet. Se a empresa conseguir dar certo aqui, fará o mesmo em qualquer outro lugar do mundo”, conclui.

Um estudo feito pelo Sebrae, divulgado em outubro-18,
corrobora o otimismo do empresário. Segundo ele, 1,5 milhão de pequenos
negócios deve ser criado no Brasil em 2019 entre microempreendedores
individuais (que faturam até R$ 81 mil/ano), micro e pequenas empresas.  “Hoje, a tecnologia está conduzindo uma
revolução no sistema financeiro.  Já não é possível ignorá-la”, afirma Simcha Neumark, CEO
da Fintech WEEL.

Em outra pesquisa recente, o órgão apurou que 7 em cada 10 pequenos e médios empresários acreditam que 2019 será melhor que 2018. Fintechs como a WEEL não têm a menor dúvida disso.“Está evidente o otimismo entre os empresários brasileiros. Não apenas isso: na WEEL, sentimos que está ocorrendo um processo rápido de amadurecimento, visível em função da rapidez de nosso crescimento (em média, 30% ao mês), aliada a uma baixíssima taxa de inadimplência em nossas operações de antecipação de recebíveis. Os empresários estão deixando de se render ao passado e entendendo que a tecnologia está conduzindo uma revolução no sistema financeiro”, afirma Neumark.

Para conhecer melhor a opção de antecipação de recebíveis – operação financeira na qual não há incidência de juros ou contração de dívidas -, consulte nossa página www.weel.com.br