Equilíbrio do capital de giro: desafio crucial da indústria plástica em 2019

São impressionantes os números que envolvem a indústria plástica brasileira, a qual movimenta anualmente mais de R$ 62 bilhões, consumindo 5,8 milhões de toneladas de matéria-prima e empregando 326 mil funcionários*. Ela ocupa, assim, a quarta posição entre as indústrias que mais geram empregos no Brasil. No entanto, as quase 12 mil empresas desse segmento enfrentam um desafio igualmente grandioso: a dificuldade de acesso a financiamentos de longo prazo e, principalmente, de obtenção do capital de giro necessário para suportar o dia a dia da produção e garantir o crescimento operacional.

Dois mundos

Existem claramente dois universos dentro da indústria plástica. De um lado, estão as grandes empresas com milhares de funcionários e acesso facilitado a incentivos de Estado, como programas regionais ou nacionais de desonerações, ou ainda subsídio de capital via BNDES. Também contam com linhas especiais de bancos privados. Estas representam, no entanto, apenas 0,4% do contingente grandes empresas (com mais de 500 funcionários) e de 5,6% de transformadoras médias, com 100 ou mais colaboradores.

As maiores agruras em relação ao crédito atingem, na verdade, todo o restante do mercado: nada menos que 72,1% de microempresas com até 19 funcionários e 21,9% das pequenas, que contam com 20 a 99 colaboradores, segundo dados da Abiplast. Para elas, estão surgindo diferentes produtos de alta tecnologia desenvolvidas pela fintechs (startups de tecnologia financeira) como a WEEL (leia mais abaixo). Essas soluções estão sendo aos poucos conhecidas pelas PMEs.

Em uma recente pesquisa realizada pela FIESP com 430 PMEs, só 25,4% delas foram bem-sucedidas na contratação ou renovação de crédito de curto prazo; ainda assim, obtiveram um valor abaixo de 60% do crédito pleiteado.

Como agravante para a disparidade entre esses dois universos, evidencia-se que grandes e médias companhias dispõem de estrutura e instrumental moderno de administração do negócio, tais como técnicas “just in time” de calibração de estoques, vendas, suprimento e logística. Além disso, contam com inteligência financeira integrada à gestão tributária e à administração do fluxo de caixa.

A realidade das pequenas empresas de transformação de plástico é diferente, pois recai unicamente sobre o empreendedor e sua capacidade de antever e articular as variáveis de negócio para a tomada de decisão.

Indústria Hazak: prazos justos e pouco crédito

São imensos, portanto, os desafios para pequenos empresários frente a um setor fortemente marcado pela ciclicidade da economia, pela volatilidade de preços dos insumos e, em diversos dos seus nichos integrantes, pela sazonalidade da demanda.

Eliete Proença, uma pequena empresária do ramo de embalagens para roupas que está há 30 anos à frente da Hazak, fabricante de cabides plásticos, conhece de perto os desafios da pequena indústria.

“Com as constantes variações do dólar e do petróleo, é extremamente difícil gerir nosso fluxo de caixa, já que temos sofrido com aumentos no custo de matéria-prima de até 15% em um trimestre. Por outro lado, é totalmente inviável repassar essas altas para as encomendas e para as contratações de produtos já em andamento. Frente a nossas dificuldades de crédito, a saída tem sido espremer custos operacionais e muitas vezes perder mais um pouco das margens de lucro. Não podemos nem planejar estocar matéria-prima excedente, pois isso exigiria capital de curto prazo, ao qual não dispomos de fácil acesso”, declara Eliete.

De acordo com a empresária, adquirir matéria-prima para atender a pedidos de maior volume depende muitas vezes de empréstimos caros que, quase sempre, exigem imóveis como garantia. “Nem sempre um único imóvel é suficiente para abrir as portas a um empréstimo, e as taxas de juros cobradas, por vezes, chegam muito perto de nossa margem de lucro”, explica ela.

Eliete conta que, em certas ocasiões, em função de dificuldades no fluxo de caixa, foi necessário renegociar despesas como conta de energia ou planejar atrasos no pagamento de alguns tributos. “Nossa mão-de-obra é paga pontualmente a cada mês; nossa matéria-prima pode ser negociada com prazo final de quitação de até 90 dias. Mas, com parcelas vencendo em prazos de uma semana a 10 dias, como podemos manter equilibrado nosso fluxo de caixa?”

A Hazak processa cinco toneladas de matéria-prima ao mês e fornece cabides plásticos para embalagens para centenas de empresas, entre elas grandes fabricantes de lingeries, meias, sandálias etc.

Com uma lista de clientes de peso e de alta solvência presumível, Eliete frequentemente recorre à antecipação de títulos, através de bancos ou factorings tradicionais. Mas nem sempre: ela tem evitado essa operação em função de juros altos e a demora excessiva na aprovação do empréstimo. “Em alguns casos, isso pode acarretar riscos nas entregas. Algo assim é mortal num ambiente competitivo como o nosso”.

E o que fazer quando, mesmo atendendo a todas as exigências da instituição financeira, a empresa não tem o crédito aprovado? A pesquisa da FIESP mencionada acima demonstrou que cerca de 20% das empresas solicitantes acabam não utilizando o crédito, apesar da positivação de seu cadastro. Deduz-que, em casos assim, a não efetivação do crédito diz respeito às condições de oneração do capital que, de tão grande, impossibilitam o empréstimo.

Pagamento à vista: a obsessão da LaserTools

Acumular caixa de forma quase obsessiva para realizar compras e pagar despesas à vista é a saída encontrada pelo empresário Anderson Silva, proprietário da fabricante e gravadora de brindes plásticos LaserTools Promocional. Segundo ele, as taxas e as garantias pedidas para empréstimos de curto prazo são incompatíveis com o pequeno patrimônio do negócio, suas margens pequenas e a concorrência predatória de produtos chineses.

A LaserTools tem uma receita anual de R$ 12 milhões e recebe suas faturas em prazos médios de 20 dias. Mas a situação é diferente quando se trata dos grandes clientes esporádicos, que respondem por cerca de 35% do faturamento e que garantem o melhor índice de lucro operacional. Para estes, a LaserTools costuma enviar notas fiscais com prazos de até 90 dias.

“A antecipação de faturas é praticamente o único tipo de captação de capital de giro que temos realizado nos últimos dois anos. Mesmo assim, só utilizamos quando a necessidade de conquistar um contrato ou garantir a entrega no prazo está acima da expectativa de lucro”. Na prática, explica ele, as taxas de fomento cobradas pelos bancos e empresas tradicionais do ramo tornam a operação muito cara.

Navarro, cliente WEEL: operações com sinergia

O relato acima se repetiu nas palavras da diretora financeira do Grupo Navarro, uma bem-sucedida fabricante de embalagens de uso industrial localizada em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. Gislaine Regina Sussai conta que a soma de burocracia excessiva, altas taxas de juros e atitude pouco parceira dos bancos e factorings tradicionais sempre foram motivo de frustração para a Navarro nos momentos em que necessitou de capital de giro rápido e a custo compatível.

“A opção fomento mercantil sempre foi a mais prática e objetiva para conseguir recurso financeiro sem entrar em endividamento, mas as condições impostas eram bastante difíceis”, relata a diretora. Gislaine utiliza o ERP Omie a qual, em parceria com a WEEL, disponibiliza esse serviço aos clientes dentro da própria plataforma do sistema de gestão.

A WEEL é uma fintech (start-up de serviços financeiros) que introduziu no mercado brasileiro um sistema antecipação de recebíveis inovador, cuja avaliação de risco é feita por meio de avaliação instantânea de risco online sem a exigência de garantias adicionais, com taxas de operação baixas e personalizadas para cada negócio. “A WEEL tem nos oferecido uma experiência muito mais tranquila e recompensadora na solicitação da antecipação. Depois da aprovação inicial de nosso cadastro, as operações são realizadas no mesmo dia. Temos uma sensação de transparência e sinergia de negócio que nunca havíamos vivenciado”, assinala Gislaine.

As fintechs — já são mais de 450 somente no Brasil — trazem soluções inovadoras capazes de aproximar as PMEs do crédito e de outras fontes de recursos. Mas isso ainda não é conhecido pelo grande público: tanto a Hazak quanto a LaserTools afirmaram desconhecer esse modelo de operação proposto pela WEEL, baseado em Inteligência Artificial e Big Data. “De fato, essa pode ser uma solução para vivenciarmos uma situação menos perversa para o nosso fluxo de caixa”, afirmou Eliete Proença.

*Dados do portal mundodoplastico.plasticobrasil.com.br/